Já sei o tom de voz da minha marca, e agora? Seja melodia simples ao público.

Para definir o tom de voz da sua marca não foi ou não está sendo fácil, certo? Não é à toa que dar uma voz própria a algo intangível é a virada de chave para tornar sua marca mais humana e próxima. Para isso, você precisará antes definir sua proposta de valor, seus pilares, o que é a sua essência, o propósito da marca e os territórios a explorar. A partir desse estudo, muitas vezes denso, é definido o tom de voz: o seu jeito único de se comunicar com o público.


Mas o que acontece depois do planejamento e estudo? Abre-se uma caixa de diálogo e você começa a falar com sua audiência e engajá-la. Mesmo que o tom de voz não seja um recurso mágico e que leva um tempo para construí-lo, é importante manter uma coisa em mente neste momento: independente do tom, seja melodia simples.


Nesta narrativa, vamos, juntos, relembrar o que é tom de voz, como encontrá-lo e, depois disso, como manter a linguagem simples, democratizar informação e proporcionar troca de conhecimento. Vem comigo?


O que é tom de voz da marca?


Tom de voz da marca é o seu jeito único de se comunicar a partir da escolha de palavras e do formato de linguagem, para transmitir o posicionamento da marca nos pontos de contato com o cliente. Se cada ser humano tem um jeito próprio de se expressar, com as marcas não seria diferente. Por isso, saber o tom de voz na hora de falar ou escrever é o que gera conexão e proximidade entre marca e comunidade. Ele te torna mais interessante que a média e te destaca no meio de tantas opções que o mercado oferece.

Charlie, personagem do Snoopy, está dentro da caixa de correio falando com alguém. Ele representa o tom de voz da marca em todos os pontos de contato com o público.

O público deve saber o que esperar em todos os pontos de contato

Além disso, o público sabe o que esperar de você como marca em todos os pontos de contato: da newsletter, SAC e redes sociais à embalagem e patrocínios de eventos de rua. Um tom de voz bem construído gera identificação e deixa claro se você está ali para entreter ou educar, se terá um tom engraçado ou mais formal, se a marca tem um jeito regional de ser ou se pretende criar uma comunidade global em torno dos seus valores. Lembre-se, confiamos mais nos nossos amigos do que no vendedor da loja. Se vocês tiverem diálogos reais e humanizados, a chance de confiarem em você e se tornarem parte da sua rede é muito maior do que se você só se preocupar em vender seu produto.


Como definir o tom de voz da marca


Você vai precisar de tempo para fazer o tom de voz ser perceptível em todos os pontos de contato. Este não é um manual completo e muitas outras ações podem ser tomadas para identifica-lo. Porém, a seguir, temos três etapas simples que qualquer tipo de negócio pode executar sem grandes investimentos:


1. Crie uma persona

Construa um personagem que represente a pessoa com quem você quer dialogar. Muito mais fácil pensar no tom de voz se você sabe com quem quer falar. Dessa forma fica fácil entender qual a linguagem, o formato e o jeito de dizer uma informação, até dos avisos mais inconvenientes, que construirão o tom de voz que mais fará sentido a essa pessoa que representa o seu público.


2. Construa um guia de tom de voz para falar com sua persona

Hoje em dia, são muitos pontos de contato com seu consumidor e fica fácil se perder na construção do tom de voz em todos eles. Porém, consistência e coesão são fundamentais, mesmo que você precise adaptar o formato para adequar a cada um dos canais. O seu guia pode ser uma apresentação, um excel de consulta ou outro jeito que preferir, mas não deixe essa etapa de lado.

Charlie, personagem do Snoopy, sofre ao manter escuta ativa  com o seu cliente ao telefone

Mantenha a escuta ativa para saber se o tom de voz da marca está adequado

3. Teste e escute as sensações que você tem provocado no público

Sempre mantenha a escuta ativa. Observe as reações do público e se eles engajam com a forma que você dialoga com ele. O objetivo do tom de voz sempre será gerar identificação, além de soar natural e verdadeiro.


Você já sabe o tom de voz, e agora?


Se você já sabe o seu tom de voz, agora é hora se ser simples ao falar. Toda marca é agente transformador. Elas influenciam comportamento e isso também é uma responsabilidade social. Apesar disso sempre ter sido uma verdade, tomamos ainda mais consciência com as redes sociais. Neste espaço, as marcas se tornaram mais acessíveis e todos podem desejar fazer parte da sua comunidade.


Foi sobre isso que conversei com Carol. Com sua ajuda, vou dividir algumas reflexões importantes sobre democratizar a informação por aqui.


Mas, quem é Carol?


Nordestina em São Paulo, Ana Carol Passos (22), se fosse uma persona seria definida como “a entusiasta”. Começou no jornalismo no caderno de cultura do Jornal Atarde, depois migrou para produção de conteúdo para marcas em Assessorias de Imprensa. Não satisfeita, foi estudar Branding em São Paulo e a partir daí iniciou sua trajetória nas Agências de Publicidade.


Hoje, o que vem dando sentido a sua vida é a busca por democratizar a informação para diminuir a desigualdade no campo da comunicação. Mesmo nova, representa uma geração Z mobilizadora, nativa digital e que sabe a importância de se manter simples na comunicação.


O que significa democratizar a informação ?


Na nossa conversa, Carol me lembrou que o Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos é o direito à informação. O acesso é tão importante que está na constituição. Apesar da comunicação estar na mão de poucas pessoas, é um direito de todos. Recentemente, podemos observar a comunicação digital tornar isso possível, muito mais do que outros meios de comunicação e, para ela, essa é a beleza de estar online.

Personagem do Snoopy democratiza informação com grupo que a escuta atentamente

Democratize a informação com a sua comunidade

Significado

  1. Democratizar a informação no Brasil, que é tão desigual em diversos aspectos, é você ter a escuta ativa à realidade do outro.

  2. Além disso, democratizar informação é protagonizar pessoas que sejam representativas em certo tema e criar um universo plural para que todos possam se reconhecer.

Se você se identificou, guarde como um mantra: sua marca é responsável em criar uma comunidade relevante para o público e que o represente, sem cair nos estereótipos. Falamos um pouco mais sobre comunidade aqui.


Por que marcas devem manter isso em mente ao construir o tom de voz?


É preciso entregar conteúdo assertivo para o público se sentir valorizado pelo tom de voz e não excluído. Sabe quando a pessoa só quer falar, mas hora nenhuma perguntou o que você realmente precisa ouvir? É isso que acontece quando não temos escuta ativa à audiência e não protagonizamos as pessoas que a representa.


Também é preciso entender que conhecimento é para ser compartilhado e é importante não intelectualizar a informação. Se você pode construir uma comunidade ativa, por que você vai usar uma linguagem difícil que a distancia? Ao contrário, traga representatividade para o seu conteúdo, seja sagaz e mostre um conteúdo simples e inteligente.


Como? A gente te responde.


5 dicas de como ser agregador ao usar uma linguagem simples no seu tom de voz

Snoopy escreve na maquina de escrever as 5 dicas de como usar uma linguagem simples no seu tom de voz

Anota as dicas a seguir!

  1. Conhecer muito bem o seu público e entenda as suas angústias e dores – Faça isso através do SAC das redes sociais e, enfim, acredite no poder da comunidade de trazer as respostas que você precisa.

  2. Seja criativo ao criar o conteúdo – Às vezes, ao invés de falar palavras difíceis, é melhor transformar a informação textual em audiovisual. Isso torna o que era denso mais leve de ser digerido pelo público.

  3. Inglês não é tudo – Tente usar sempre o português. Não precisamos usar palavras em outra língua, se estamos nos comunicando com brasileiros. A língua portuguesa é suficientemente vasta.

  4. Use recursos de acessibilidade – Legende todos os seus conteúdos em vídeos, até os stories. Isso ajuda a quem não escuta acessar o conteúdo da mesma maneira que pessoas que escutam. Outro recurso é o uso da #pracegover nos posts. Ele também é importante para deixar a internet mais acessível.

  5. Não subestime as pessoas, as engrandeça – Se pergunte como o conteúdo pode ser passado para que as pessoas engajem ao invés de gerar repulsa. Antes de considerar um conteúdo difícil e descartá-lo, torne o conhecimento acessível e transformador para o público. Como diz aquela música de Roberto Mendes na voz de Maria Bethânia “Quero aprender a ler, para ensinar meus camaradas”.

Ao refletir fica fácil de perceber que a comunicação é um recurso incrível para mostrar como as pessoas são importantes e dignificar as suas histórias. Existe muita informação sobre tom de voz na internet (vale a pena se aprofundar), mas poucos refletem sobre a importância da simplicidade e da democratização da informação. Espero ter contribuído para que você use o tom de voz da sua marca como recurso para criar um espaço de diálogo e troca com o seu público. Pois, independe de qual seja a letra, espero que mantenha a melodia simples, meu camarada.

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